CALAGEM
A
acidez do solo é causada pelos íons hidrogênio (H+) na solução do
solo e pelo Al nele contido. Na verdade, este elemento é considerado
apenas um componente de acidez do solo, pois é ele que gera íons H+ na solução
do solo, de onde as plantas retiram os nutrientes para o seu desenvolvimento.
Nesse compartimento estão presentes vários elementos considerados essenciais à
vida das plantas, os quais são conhecidos como macronutrientes e
micronutrientes, dependendo da quantidade em que são exigidos pelas
plantas.
Os
macronutrientes são o N, P, K, Ca, Mg, S, C, H e O. Os micronutrientes são B,
Cl, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn. A absorção desses nutrientes pelas raízes é afetada
pelo pH, ou acidez do solo. Por exemplo, quando um solo é ácido, com um pH em
torno de 5,0 a 5,5, tem-se maior disponibilidade de micronutrientes para as
plantas do que quando um solo é corrigido com calcário para pH acima de 6,0,
com exceção de Mo e Cl. Por outro lado, nas condições de solo ácido, ocorrem
vários prejuízos à produção da maioria das culturas.
Tais
prejuízos são conseqüência da acidez do solo e são devidos, em geral, à
toxicidade de Al e deficiência de N, P, Ca e Mg, dentre outros. Daí a
importância da análise de solo, que permite ao produtor fazer um acompanhamento
da fertilidade de seu solo e saber qual ou quais nutrientes estão limitando a
produção.
Gráfico: Relação entre disponibilidade de nutrientes e o ph
do solo.
A
toxicidade de Al está associada a deficiências nutricionais. Teores de Al acima
de 1,0 meq/100cc de solo geralmente causam uma redução na produção, pois há uma
inibição no crescimento das raízes em profundidade, o que reduz a absorção de
água e nutrientes, principalmente de P, Ca e Mg.
Como
corrigir a acidez do solo
Embora
seja uma técnica agrícola bastante simples, a calagem é uma das práticas mais
benéficas à agricultura. Sua função é a de correção da acidez do solo, o que
acaba por conferir aumento na produtividade das culturas. Entretanto, para que
o produtor possa tirar o melhor proveito possível da aplicação do calcário na
lavoura, será preciso observar alguns aspectos de suma importância.
Quando
o pH do solo é baixo, isso quer dizer que sua acidez é alta e a medida mais
aconselhável para sua correção é a calagem. Contudo, ela somente trará impacto
favorável se realizada para atingir o pH entre 5,8 e 6,0 – pois em caso de
excesso a produtividade poderá cair drasticamente, além do que o pH acima do
ideal induz à deficiência de micronutrientes, principalmente zinco, boro e
manganês.
Logo,
o primeiro passo que o produtor deve dar é proceder à análise do solo.
Esse é o instrumento valioso e insubstituível, realizado em laboratórios, para
avaliar não somente a necessidade da calagem, mas também a da adubação mais
adequada. Evidenciada a necessidade da calagem, as perguntas mais freqüentes
dos produtores são como e quando aplicar o calcário, quais seriam suas melhores
fontes e qual a quantidade apropriada.
Em
relação à época de aplicação, os calcários geralmente são pouco solúveis e,
portanto, necessitam que sua utilização seja realizada com suficiente
antecedência, desde que haja umidade no solo. Apesar disso, pode-se muito bem
pensar em distribuir o calcário no período de maior ociosidade das máquinas na
propriedade.
Quanto à
forma de aplicação, é necessário levar em conta o sistema de cultivo adotado.
Caso o agricultor faça o plantio convencional, o calcário, dada sua baixa
solubilidade, deve ser bem incorporado por meio de arações e gradagens, a fim
de permitir o máximo de contato com as partículas do solo.
Devido
às características químicas dos corretivos, é importante que os mesmos sejam
incorporados ao solo de forma a obter maior eficiência. Por razões práticas e
econômicas a melhor forma de aplicá-lo é a lanço, de uma só vez.
Para
quem trabalha em plantio direto e não pretende fazer o revolvimento do solo, a
calagem só poderá ser realizada a lanço na superfície do solo, sem
incorporação, lembrando que o calcário aplicado em cobertura reage mais
lentamente e nem sempre reage completamente, quando comparado àquele
incorporado ao solo.
Sobre
a melhor fonte de calcário, deve-se observar qual é o Poder Relativo de
Neutralização Total (PRNT) dos corretivos. Esse indicador mostra a rapidez e a
eficiência de reação do produto com o solo. Portanto, quanto maior o seu valor,
melhor ele será.
Contudo,
devido aos custos do transporte dos corretivos, nem sempre é econômico comprar
o produto com o maior PRNT. Geralmente, é recomendado o seguinte cálculo para o
agricultor: divida o custo do calcário colocado na propriedade (incluindo o
frete) pelo PRNT e multiplique o resultado por 100. Ao utilizar essa fórmula em
três opções de produto por exemplo, aquele que tiver o menor valor é o que
deve ser adquirido, independente de ser o calcário de origem calcítica, dolomítica
ou magnesiana.
Em
relação à quantidade de calcário, sua determinação obedece ao resultado da
análise do solo que, como mencionado anteriormente, é imprescindível, lembrando
que a dose a ser aplicada deve ser suficiente para elevar a percentagem de
saturação por bases no máximo a 60% para os solos de cerrado.
São
levados em consideração ainda outros fatores, motivo pelo qual aconselha-se ao
produtor consultar um profissional especializado, a fim de interpretar as
informações técnicas contidas num boletim de resultados de análise de solo.
Adotando esses procedimentos, muitos gastos desnecessários e perdas de
produtividade serão evitados.
Estudos
realizados na Embrapa Arroz e Feijão demonstraram, para um período compreendido
por quatro safras de feijão, uma receita líquida de 52 sacos de feijão por
hectare e uma relação benefício/custo de 9,3, ou seja, para cada saco de feijão
investido em calcário, o retorno foi de 9,3 sacos, o que, em termos econômicos,
é considerado de nível ótimo de oferta do produto.
Além
desse efeito marcante da calagem no aumento da produtividade, nenhuma outra
prática agrícola pode ser considerada mais econômica do que a calagem. Nos
estudos o emprego da calagem representou apenas 5% do custo total da produção,
o que pode ser considerado, em relação às outras práticas, um dispêndio
financeiro muito baixo, principalmente levando-se em conta o seu alto retorno
em termos de benefícios econômicos.
REFERENCIAS:
·
EMBRAPA
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